Caso não esteja familiarizado com o termo, darwinismo social trata-se de uma falácia que se refere a ter comportamentos sociais que visem a ‘seleção natural’ dos indivíduos mais aptos. Herbert Spencer, seguidor de Darwin, sugeriu que deixassem de ajudar os menos necessitados, pois estaríamos interferindo no ciclo onde os mais capacitados se dariam bem.

Herber Spencer foi um dos primeiros a unir conhecimentos de sociologia e biologia. Acreditava na sociedade como um organismo, ressaltando então, processos de crescimento, expressos através de diferenciações estruturais e funcionais.
Um filme que trata o assunto é In time, de 2011 (no titulo abrasileirado o nome ficou ‘O preço do amanhã’). Eis a sinopse do filme: ‘em um futuro próximo, o envelhecimento passou a ser controlado para evitar a superpopulação, tornando o tempo a principal moeda de troca para sobreviver e também obter luxos. Assim, os ricos vivem mais que os pobres, que precisam negociar sua existência, normalmente limitada aos 25 anos de vida’.
A Eugenia, é definida por Francis Galton como: ‘ o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente’, isto é, acreditar que por termos consciência de como funciona a evolução ( a genética), deveriamos usar isso a nosso favor. O problema é que isso implica no papel de nós, individuos da espécie, decidirmos quais são considerados aptos e quais não são, o que pode implicar em efeitos negativos, como por exemplo o racismo.
Francis Galton era primo de Darwin.Fundou a psicometria, cunhou o termo eugenia e acreditava na genialidade transmitida pela genética.
Antigamente por exemplo, caucasianos consideravam negros como inferiores intelectualmente, se comparados à população branca- o que poderia ser explicado pelo fato de que os negros não possuiam o mesmo acesso à informação. No momento em que puderam começar a frequentar escolas e faculdades, começou a negação dessa característica.
Um grupo é formado por indivíduos com habilidades, percepções e comportamentos diferentes, ao excluirmos um indivíduo do grupo por ele ter uma característica passível de recriminação estamos pensando em fortalecimento dos nossos genes, isto é, diminuir o altruismo com alguém que possui características que desaprovamos. mas isto já foi explicado aqui.
É importante diferenciar o darwinismo social da sociobiologia. Enquanto o darwinismo social procura explicar que indivíduos mais pobres deveriam ser considerados menos aptos, a sociobiologia explica por que algumas pessoas podem achar que indivíduos pobres devem ser excluídos.
E.O Wilson, considerado pai da sociobiologia, complementou a teoria darwiniana voltando um olhar para a seleção de grupos, e segundo o mesmo o processo evolutivo é mais bem-sucedido em sociedades onde os indivíduos colaboram uns com os outros para um objetivo comum. Afinal, animais não precisam competir sempre, ainda mais se fizerem parte de uma mesma espécie.

Edward Osbourne Wilson cunhou o termo sociobiologia em seu livro ‘Sociobiology: The New Synthesis’ – lançado em 1975 e até hoje sem tradução para o português
O erro do darwinismo social está em confundir a teoria que visa descrever a evolução de como os seres vivos se adaptam no nicho ecológico como explicação de conduta. A ideia de que algumas pessoas são geneticamente inferiores e que é necessário eliminá-las ou evitar que se reproduzam ainda persiste um muitas pessoas. O ‘darwinismo social’ (deveria se chamar spencerismo social) é um pensamento ilógico se analisada sua morfologia sua nomenclatura, pois a seleção natural, proposta por Darwin, seria trocada abruptamente por uma seleção artificial.
Seleção artificial ocorre quando o homem interfere com um propósito na seleção (escolhe o genes que merecem ser valorizados), seleção natural ocorre quando essa seleção ocorre sem a interferência consciente de uma força em prol de uma causa – ao definir quais seriam os genes que mereceriam ser passados adiante (definindo se alguém merece ou não ajuda) haveria uma interferência consciente, afinal, ajudar o outro faz parte da nossa natureza.

Talvez a raça humana se torne perfeita quando for possível a convivência pacífica entre as diferenças, mas tanto a perfeição quanto a convivência pacífica entre todos são apenas utopias.
Nos links: link para reportagem da ISTO É, onde falam sobre sociobiologia, méritos de Herbert Spencer e Francis Galton:
