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Psicologia evolucionista, viver em grupo e homofobia

‘‘a mente humana é um design complexo e seus padrões funcionais são, em última análise, respostas selecionadas pela evolução. Dentro dessa perspectiva, não somente as emoções humanas são respostas adaptativas, mas também as próprias faculdades cognitivas que perfazem o nosso pensar estariam atreladas a uma diversidade de mecanismos que foram sendo selecionados ao longo da nossa história. (…) Adaptações estão essencialmente atreladas a mecanismos de propagação genética’’.

Steven Pinker – Como a mente funciona

Embora eu não queira me limitar a apenas explicações de Pinker, ele é um dos maiores (se não o maior) divulgadores da psicologia evolucionista. De forma resumida pode se dizer que é a psicologia vista sob as lentes da evolução pela seleção natural descrita por Darwin ( Inclusive para saber mais existe um ótimo site sobre isso recomendado no final do post).O homem vem evoluindo e se adaptando ao longo dos milhões de anos, e sob as lentes da evolução somos adaptados para viver em cavernas, como caçadores e coletores de alimentos. Mas isso não quer dizer que somos homens das cavernas certo? Ao ver da psicologia evolucionista (e de qualquer observador) estamos vivendo bem em casas ao invés de cavernas, comprando comida e tudo mais. Mas algumas funções foram projetadas para se adaptar a outros tempos. Mas vamos por partes.

Quero inaugurar os posts sobre psicologia evolucionista, escrevendo sobre uma das características que possibilitaram que evoluíssemos até chegar a Homo sapiens. O fato de viver em grupo.

grupos ontem

O ser humano vive em sociedade, e está adaptado para viver em grupos numerosos, e esse fator certamente ajudou nossos antepassados a se reproduzirem mais. Mas antes que você argumente que outros animais que vivem em grupos não se tornaram tão evoluídos quanto o ser humano, preciso acrescentar três coisas:

1ª: eles são tão evoluídos quanto o ser humano, sua evolução apenas está adaptada para outro habitat- certamente não temos um olfato tão bom quanto o dos lobos por exemplo.

2ª: A inteligência é um produto da evolução, o homem foi se tornando assim porque, de alguma forma, desenvolver habilidades cognitivas fez com que ele sobrevivesse mais e se reproduzisse mais.

3ª: O viver em grupos numerosos foi apenas um dos fatores que possibilitou que a mente humana chegasse ao extraordinário produto que é hoje, existem outros fatores que contribuíram.

Juntamente com a formação de grupos surge o seu oposto, a exclusão de grupos. Algum espécime que por algum motivo entrava em discordância com o grupo (ou alguém influente do grupo, como o líder por exemplo) , era excluído do grupo – geralmente agredido até a morte pelos outros componentes do grupo. Claro que isso ocorria apenas a alguns milhões de anos atrás, e isso não ocorre mais hoje em dia não é mesmo? Acompanhemos os dois vídeos abaixo:

‘ah, mas isso é um caso isolado, nem todo mundo agride os homoafetivos ’. Pois bem, lembre-se que a linguagem também evoluiu, o que de certo modo pode tirar o foco da agressão física. Uma frase ou uma situação remoendo na cabeça pode deixar marcas maiores do que uma cicatriz. Basta escutar qualquer discurso homofóbico para ter uma ideia do que estou falando. A algum tempo atrás, durante uma conversa informal que eu tive com outro Homo sapiens sapiens, a pessoa em questão discursa o seguinte -as palavras não foram exatamente essas, mas em si o discurso era esse:

‘homossexuais não merecem o nosso respeito, não fazem parte de um plano maior, são uma aberração e devemos trata-los como tal. O homossexualismo é uma doença! Escória da humanidade que aos poucos a midía nos apresenta como iguais a nós. Eles não são iguais e não devem ser tratados assim.’

Porém essa briga entre Homoafetivos vs. Homofóbicos deixa um grupo de fora, os dos que não são homoafetivos nem homofóbicos (acredito que corresponda a uma fatia considerável da população). Olhando de uma forma evolucionista: aqueles que fazem parte de um terceiro grupo, o qual não está sendo agressor ou o agredido e assiste tudo e dá suas opiniões.

Um experimento: Se você não é homoafetivo nem homofóbico, pegue o discurso citado acima, e troque as palavras referentes à homoafetividade por algum defeito (nem preciso deixar claro que homoafetividade não é um defeito, né?) que VOCÊ acredita ter (ex: ser acima do peso, não ter curso superior, não ter dinheiro..), você certamente prestará mais atenção; e não se limitando apenas a isso compartilhará com seus amigos que também compartilham desse mesmo defeito. Você está reunindo um grupo.

A psicologia evolucionista explica o instinto de exclusão de grupo, mas isso não quer dizer, em hipótese alguma, que defende suas práticas. Tanto é que a psicologia evolucionista corrobora outro ramo da psicologia: a psicologia cognitiva. Não vou me estender falando sobre, mas para os leigos é importante saber: uma das coisas trabalhadas na psicologia cognitiva é a assertividade do sujeito. A assertividade é conseguir expressar sua opinião sem ferir a si ou aos outros, algo indispensável para a vida em sociedade, e isso não quer dizer que devemos ditar como o individuo deve ser, mas sim proporcionar que ele consiga se relacionar bem com a sociedade. Só acrescentando: sociedade não é sinônimo de grupo exclusor.

Ou seja, enquanto a psicologia evolucionista nos explica o porque possuimos esse tipo de mente, a psicologia cognitiva se ocupa em entender como a mente funciona e como trabalhar funções desadaptativas (ou lembrar que não moramos mais nas cavernas).

Link para um site sobre psicologia evolucionista (citado no início):

Publicado em 13 de janeiro de 2012 às 03:23. Arquivado em Psicologia evolucionista e marcado , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

3 comentários sobre “Psicologia evolucionista, viver em grupo e homofobia

  1. Meu colega, texto muito bem escrito. Fiquei muito interessado no assunto. Steven Pinker está indo pro Gente Foda. Darwin já tá lá.

    “Ou seja, enquanto a psicologia evolucionista nos explica o porque possuimos esse tipo de mente, a psicologia cognitiva se ocupa em entender como a mente funciona e como trabalhar funções desadaptativas (ou lembrar que não moramos mais nas cavernas).”

    Bela ligação!

  2. Muito bom seu post! Vou compartilhar no meu FB.

  3. Augusto Frohlich em disse:

    massa cara ^^

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